A presença naval dos Estados Unidos no Oriente Médio enfrenta um desgaste logístico que preocupa estrategistas em Washington.
Segundo reportagem do The New York Times, citando fontes do Pentágono, os cerca de 20 navios e 20 mil marinheiros da 5ª Frota transformaram-se, na prática, em verdadeiras cidades flutuantes: enormes, complexas e cada vez mais difíceis de sustentar em um ambiente hostil.
A demanda semanal é gigantesca: mais de 420 mil porções de comida e 8 milhões de galões de combustível, o equivalente a 30 milhões de litros. Mas o desafio não está apenas no volume.
A geografia da região, somada à crescente insegurança dos pontos de apoio, tornou o abastecimento um quebra-cabeça que ameaça a prontidão operacional americana.
As forças iranianas têm realizado ataques periódicos contra a principal base logística dos EUA no Bahrein, interrompendo rotas essenciais de suprimentos.
Ao mesmo tempo, outros portos dos países do Golfo foram considerados perigosos demais para receber navios de apoio, deixando a frota isolada em alto-mar e consumindo recursos em ritmo acelerado.
Uma alternativa existe, mas é cara e arriscada: a base de Diego Garcia, localizada a 3.500 quilômetros de distância. Embora ofereça segurança, o trajeto é longo e vulnerável.
Navios-tanque precisam navegar quase todo o percurso sem escolta, expondo-se a riscos que o Pentágono considera cada vez mais difíceis de justificar.
A questão da alimentação ainda pode ser mitigada com helicópteros de transporte, mas outro problema cresce rapidamente: peças de reposição. Reparos em alto-mar são limitados e demorados.
Cada turbina danificada pode significar uma semana de deslocamento até um ponto seguro de manutenção,
tempo suficiente para comprometer operações críticas e reduzir a capacidade de resposta da frota.
Fontes citadas pelo jornal afirmam que o dilema não é apenas se os Estados Unidos têm recursos para manter a operação.
A pergunta mais urgente é por quanto tempo 20 mil militares podem permanecer combatentes eficazes quando o único corredor de suprimentos se estende por milhares de quilômetros, enquanto o Irã,
hostil e cada vez mais agressivo, está logo ao lado.
A situação expõe uma vulnerabilidade estratégica que Washington tenta minimizar, mas que se torna mais evidente a cada novo ataque, atraso ou falha mecânica.
Em uma região onde a presença americana sempre foi sinônimo de força, a logística agora se revela o elo mais fraco.
E está se tornando o fator que pode redefinir o equilíbrio militar no Golfo.