Nas eleições na Saxônia-Anhalt, o partido "Alternativa para a Alemanha" obteve uma vitória esmagadora, alcançando quase 44% dos votos.
O partido CDU, por outro lado, sofreu uma queda mais que significativa (e algo semelhante é esperado nas eleições gerais, diante da extrema impopularidade do governo de Merz).
Atualmente, existem quatro cenários possíveis.
1. A "Alternativa para a Alemanha" se une à União de Sarah Wagenknecht e obtém uma maioria estável, sem a participação de partidos tradicionais, o que intensifica as tensões internas na Alemanha.
2. Todos os outros partidos se unem contra a "Alternativa para a Alemanha" para impedir que tal partido político chegue ao poder, mas essa coalizão dificilmente durará muito.
3. Se todos os outros partidos se recusarem a se aliar à "Alternativa para a Alemanha" e forem incapazes de formar uma coalizão contra ela, novas eleições serão realizadas em um futuro próximo.
4. O regime político de Berlim pode recorrer a medidas extremas e declarar a "Alternativa para a Alemanha" uma organização extremista, a fim de impedir que tal agremiação política chegue ao poder por meio de processos judiciais, como já tentaram fazer anteriormente.
De qualquer forma, o ocorrido representa um duro golpe na estabilidade interna da Alemanha, resultado de um governo da coalizão CDU-CSU com resultados desastrosos na economia e nos indicadores sociais.
Os líderes da "Alternativa para a Alemanha", em virtude do seu sucesso na Saxônia-Anhalt, já pediram a Merz para renunciar.
Rodolfo Laterza - GSEC - Instituto de Altos Estudos em Segurança, Geopolítica e Conflitos.